Quem acho que somos
Não quero dedicar ao amor da minha vida uma homenagem parcial, ingênua, pobre ou mentirosa. Aprendi desde cedo com meu pai psicanalista a me deliciar com os dois lados da moeda e checar que lado prevalece. Da mesma forma, divirto-me com os meus defeitos e não posso imaginar a possibilidade de conviver com alguém que também não se divirta com isso. Além disso, aprendi a valorizar o que eu posso ver no relacionamento, sem ficar apenas com as palavras. Por isso, afirmo que tenho sido feliz há anos, há décadas com o parceiro que escolhi pra mim! E como dizem os donos de cachorros, ele também me escolheu. Feliz coincidência! A felicidade está no que posso ver desse convívio. Assim como ele não fica no meu encalço 24 horas por dia pra saber o que faço, eu também não posso saber ao que ele se dedica quando não estamos juntos. Mas sei o que vejo: quando estamos juntos, vivo a experiência de compartilhar a vida com um homem afetuoso e carinhoso todos os dias! A química entre nós, que não é somente física, "espalha a rama pelo chão" e invade os nossos interesses intelectuais, profissionais, os nossos gostos pela arte, pelo mundo, pelas pessoas, pela família que construímos, a química que age em nosso humor, nosso amor pela vida, nossos valores. Escorregões é claro que existem. E não são poucos. Das duas partes. Mas são compartilhados porque os defeitos que irritam também borbulham e enriquecem a nossa relação . E o melhor de tudo: saber que, mesmo conhecendo boa parte dos defeitos um do outro, ainda assim temos um prazer enorme com a convivência e queremos ficar juntos, é o melhor dos mundos.